2008-08-03

A ROLETA



Olhei o dentro da esquálida lagoa.
A olho nu ou microscópico
ecoavam minhas vastas áreas
sempre , um chorinho imberbe adulto.
Olhos secos , nada jorrava ,
nem gotejavam.
Tinha existido um virginalectico e único lacrimijado…
…. Em tempos idos…
….caídos….
No plasma electrocefalóide
octogonal prismática simbiose,
é mãe… mas dilui-se esverdeando casos e casulos,
esperança…
no pranto das flores debruçadas nos parapeitos do seu arrastar
busca, receosa praguejando a rectilínia mansão,
afinal uma simples bolha nebelinosa.
No consenso dos anciães, reunidos por hora,
nos minguantes quartos da Lua
decidido fora o extermínio de todos os Deuses
restariam…
os anjinhos para preservação da espécie, mas só os gerados
em gélidas incubadoras:
Sabe-se que o Sol se extinguirá.
Neste enigmático ecrã, NÓS ( os Eus) , defronte, elaboramos planos
sobre que direcções, que desvios usaremos!
No término da perspectiva mais longínqua e imaginável está uma roleta
Umas vezes da sorte ,outras do azar.

2008-07-18

COITOS DO IMAGINÁRIO


O KImdaMagna publicou o livro do qual se mostra a capa.
O livro não tem preço. Este livro é para ser oferecido para leitura.
O estilo é o dele. Foi todo idealizado e feito pelo KimdaMagna. Todos os direitos do livro são irreservados e poderá ser copiado sem autorização prévia do autor. Ao KimdaMagna basta-lhe saber que foi ele o criador da obra.
Não há regras , nem as ditadas por um qualquer editor , nem as imposições linguísticas, nem o "como deve ser feito" estéticos ou de convenção.
Resumindo pode-se dizer que este livro é o "voo livre do KimdaMagna".
Professo e idealizo que qualquer manifestação criativa nunca deveria ser paga.

2008-07-01

Um dia no Metropolitano


Naquele dia resolvêramos fazer a metamorfose ideal. A ideia fora de MariaAna que sofria do sindroma dos afagamentos.
Eu ao centro, rectilínio como deve ser um chefe, MariaAna à minha esquerda, AnaMaria à direita, gémeas, minhas irmãs, curvilínias vestidas, como deve ser a feminina condição. À partida, o plano era primoroso; olharíamos de cima para baixo a nossa espécie, dar-nos-ia vantagens; situados perto dum céu cinzento esbranquiçado, um pouco afastados das terrenas carnes, disfarçados nas formas suspensas e de sustentação. Aliás como nos mostra a foto.

MariaAna justificava ( para proveito próprio) o plano, afirmando que a excelsa comunicação dos humanos está nas e com as mãos Em termos práticos seria agarrada, afagada por inúmeras mãos ao longo das “viagens”. AnaMaria tinha horror ao contacto masculino mas aceitou o desafio por ser gémea de MariaAna. Eu não comprendia os extremismos de cada uma delas. Por ser um bisexual ser, concordei com o plano.
O plano seria o estudo da complexidade antroposocial excluindomo-nos da nossa própria visão da Sociedade. Permitiria talvez uma melhor compreensão da realidade.
AnaMaria lembrou-nos ainda de que uma teoria não é o reflexo do real. Nada a fazer. Os três embalámos plano fora. Cinco horas depois continuávamos sós naquela carruagem que nem se movera, nem viva alma aparecera. Soubemos pouco depois e pelo diálogo dos dois homens da limpeza ( nem sequer para nós olharam) que havia uma greve no metropolitano. Não haveria Afagos naquele dia.
Outro dia tentaríamos de novo.
Este é o meu texto sobre uma foto do Fábio Reoli. São várias fotos de sua autoria que estão disponíveis em seu blog para que os leitores escrevam um texto a respeito. "Coletivo: Caos".
Obrigado Fábio , pela inspiração que sua foto despoletou.

2008-06-23

Preliminares


Bebo de teu seio, o cálice transbordante,
estrangulante carícia , gozamos como loucos,
correndo o esplendoroso pôr de sol,
a deslocação do tempo reflectia-se nos teus olhos
meu coração pela milésima vez em teu ventre.

Ali perto árvores violentas e torturadas
acenam-nos com acordes de flautas selvagens.

“Repenetramo-nos”
entre os barulhos de materiais violentos
ontálgicos resvalamos na meta-cibernética
maior autonomia , menos isolamento,
refundimos o ar saturado de silêncios nutritivos.

Suculentos,
eis… os múltiplos sujeitos reflexivos,
outro senão… nós próprios orgasmos
na ciência dos imprecisos.

Um lapso de carícia, um aspecto,
várias complexidades.

Acalma-te
ainda
estamos nos preliminares.

2008-06-12

Estrada Arcoírica


Não eram os gestos mecânicos reflectidos em seres humanos de vai e vem citadino. Os beijinhos húmidos, ( pior se com batom) das saudações ou apertos de mãos deslavados, concretamente em frieza nos contextos urbanos num dos anos primeiros da era betãonante, marcavam o tempo. Radical “chippeias-te” como algo natural, mas os uivos e urros traem-te, trazendo-te de volta ao adubo orgânico que te circunscreve, mesmo assim olhas para todos os lados e nós estamos lá.
Subiste num carrossel rectilíneo que te leva para longe; transporto o primeiro horizonte amarelo, não há planícies nem vales: só planos acústicos se revelam por todo o corpo, o espírito entretanto prossegue viagem. Numa janela ainda de amarelados tons, debruçada uma carochinha oferece-se, de cílios postiços, desconfio mesmo do descomunal volume de seus seios, uma siliconica perspectiva
O tic tac tic audível, dos relógios de cera, estratégicamente posicionados nas mentes daqueles habitantes dão um toque uniforme, embora cada bairro tenha o seu próprio sol.
Mas a marcha do citado carrossel segue imparável de horizonte para horizonte como numa arcoírica estrada. O espírito, recordo, já lá vai, o corpo lento só agora chegou ao horizonte azulado; faz mais calor aqui , a decomposição ameaça, as viroses são vencedoras, inúmeras chaminés enchem o campo visual, os seus fumos azulam o horizonte, respira-se com dificuldade, compreende-se a fuga de muitos.
Muito mais à frente no limiar do horizonte rosa, o espírito, pacientemente sentado, espera pelo corpo. Naquele lugar não há temperaturas e os aromas são ténues e esbatidos. O espírito é por natureza um optimista e crente, ele acredita ainda que o corpo o alcançará. Receia porém o momento da passagem do corpo pelo horizonte negro.
Lá atrás o corpo revela-se e manifesta-se contra o horizonte verde. Pesticida furiosamente e com convicção os campos verdes de alimentos. Esta é a antecâmara do horizonte negro. Mas agora e já aqui chegado, subitamente reconhece-se como ser derrapante sem travões, amortecedores e para choques, busca rapidamente apoio num dos seus variados e inventados deuses mas não obtém resposta. A escuridão é total, o horizonte negro mantém–se firme nos seus intentos.
Há uma casa única ali, nem portas nem janelas, só uma ébano figura sentinela de imaculados cabelos e barba brancos, sobressai. A transparência de suas paredes é real. Reflectem-se nelas perfeitamente um todo de escuridão.
Perguntas-te naquele preciso instante se não há mais horizontes? Reparas que nem mais o ruído do carrossel ouves, Recordas que existe ( existiu?) uma arcoírica estrada. Não te lembras de nenhum sinal que tenhas visto a indicar-te algum desvio. Interrogas-te profundamente…

Cócórócó, cócóróco !!!
Porra ! O sacana do galo do vizinho acordara-me daquele estranho sonho.
Eram cinco horas da manhã.

2008-06-05

A Curvilínea Retórica.



A retórica… . bem falar.
Defina-se o género, as diferenças genéricas:
A curva… por instante, a do quadril,
entre a púbis e os seios.
Cuidado!
Há várias finalidades numa acção,
perigoso mesmo, é uma finalidade
em muitas acções.
A retórica… . é arte
Os comediógrafos observam
a pureza do vocabulário.
Lembro, há várias finalidades,
na curva d’um traseiro redondinho,
dialecta a minha essência ( erecto Ser)
em muitas acções.
No fundo é ela própria.
Tal como eu sou.
A sedução é a resposta sem questão
numa questão que não tem resposta.
Tu pensas… queres… sou.

2008-05-31

Odroca Ocifárgotro

Acordo Ortográfico? Ah,ah,ah
Então tomem lá este linguajar que tam bém é português.
Azores/ Portugal

Dei pincho, nem macaco
interessa é dar guinau,
darei uma gaitada à porta, imediatamente,
melhor vendo,
quedo-me de papo para o ar,
dei no vinte.
Saí com um foguete no rabo,
brava nem gueixa de baldio,
bum comâ bum!
bruto como os pés que me arrastam.
mas logo, logo caiu-me o queixo
Homessa!
Oló! Ubei credo andar!
Salvação
eu vou mais minha mâe, protejido
até parece mintira...
a bater as arcas, subi mais degrau
olho na faca , olho na lapa
Ó desgraça põe-te a fumo!
Abrenúncio, cão tenhoso,
dissera-me um corisco malamanhado.

2008-02-14

HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES

Kabissi Ramos-Artista Angolano



Este artigo foi publicado no comentário de um artigo do Kimangola. A história é ou não é a soma ou divisão das partes. A fonte é anónima, mas o direito de divulgação é Universal. Há sempre o espaço e o tempo para contestar ou apoiar.


O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.
Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola). Kibala-Kuanza Sul
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.
Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .
Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.
A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).
Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês. Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.
Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.
Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.
Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.
Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.

Lino Damião-Artista Angolano
Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.
Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville. Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias). Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .
Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios. Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.


Comentário/resposta ao artigo " São Tomé e Principe Espaço de Miscinegenação"

2008-02-06

...Ximbueko disse...

A arte está afastada da “ verdade “ ou se quiserem do ” cerne “ ( a soma dos vários componentes que constituem o objecto observado ), os seus interiores são ignorados total ou parcialmente. O que se considera belo ( forma exterior ) depende da época e das culturas. Assim a beleza não é algo absoluto e imutável , mesmo se nos referimos a Deuses , Santos ou Ideias; variadíssimos exemplos de conceitos contraditórios mostram nos a escultura , a pintura , e a literatura , sobre o Belo.

Mas convém não esquecer o poder da beleza exterior: Menelau depois de ter Tróia vencida, tentará matar a esposa traidora ( de irresistível beleza ) , mas o seu braço fica paralisado ao ver o belo seio nu de Helena.

Os gregos ( alguns ) simplificam as coisas; o oráculo de Delfos respondia: “O mais justo, é o mais belo”.
Como poderemos analisar estes díspares conceitos. Por um lado o exterior ( sem os conteúdos ) entendido como belo, por outro este mesmo exterior nada significa , pois sendo justo ( algo dos interiores ) é belo. Eu , Ximbueko que venho e ando nos meandros da loucura, com propriedade e direito vos digo: trata se de uma bipolar conceitualidade que vive e se alimenta de eufóricos ou depressivos estados.
Okay , okay: mesmo as nossas diferentes idades fazem nos olhar e pensar formas diferentes do Belo. Em todas as acções humanas, o impetuoso e o impreciso manifestam se primeiro; o calmo e o exacto vem a seguir.
Como chegar a uma primeira compreensão da beleza se as várias artes não o exprimem unitariamente? A poesia encanta e faz alegres os seres humanos, nos hinos é a harmonia do cosmos, para a escultura a apropriada medida das partes, na retórica o ritmo certo.

Mas convém não esquecer que a beleza não limita os problemas; é só lembrar as divas/ estrelas ( hollyoodianas ) que se suicidam ou encharcam de químicos – álcool , psicotrópicos , anfetaminas etc.)

Quero dizer, existirá uma compreensão consciente da beleza ? É que existem caminhos armadilhados. As diversas épocas que assumiram como autêntica e original, a beleza, foram fictícias sendo produzidas por projecção sobre o passado, com visões modernas do mundo – atente se no classicismo de Winckelmann.
Platão ( século V-IV a.C. ) falou do belo absoluto: “ Portanto o que deveríamos nós pensar se, acontecesse de alguém ver o belo em si absoluto, puro , não misturado e, de modo nenhum contaminado por carnes humanas e por cores e por outras pequenezes mortais, mas pudesse contemplar como forma única o próprio Belo Divino? Será ou não compreensível que olhando para a beleza somente com aquilo com o que é visível, esse acto gerará não puras imagens de virtude”.
Que virtude é esta então que nasce e resume se à forma e impressão do exterior ?
Bem já ouvi falar sobre um qualquer jogador de futebol que tendo uma técnica apurada, é apelidado de virtuoso ( O craque tem virtuosismo). Não deve ser esta a virtude que o Platão falava.
…Ximbueko disse…

2008-02-03

IMPOSSÍVEIS e QUIMÉRICOS

Teu rosto todo arde
os olhos flamejam
vejo mil lucernas.

Fímbria ondulante
que me desmaia
num suspiro
ténue.

Todos os impossíveis e quiméricos,
alcanço em ti.
Não rejeito o cio
que humedece me.
Do nosso esplendor,
nem vergonha,
nem saciedade.

Coito te as vagas
alterosas
batendo em mim.

Membranosa
vúlvica prece,
amaro
em ti,
qual bote
salva -vidas.

2008-02-01

A FORMÍGRAFA


Formigavam as formigas
de um buraquinho no chão
todas muito direitinhas
numa fila perfilada
que contornava o torrão.
Eis senão quando uma delas,
sem motivo, nem razão,
deu dois passos de guinada
e mudou de direcção.

Foi a fila para um lado
e a formiga dissidente
para outro, bem diferente.

E assim, sem companhia,
num andar desassombrado,
caminhou até achar
o abrigo de um telhado.

Devagar, mas persistente,
galgou, cansada, um degrau,
marinhou por um sobrado,
contornou uma cadeira,
subiu a perna da mesa
e pousou sobre um papel
onde havia quatro versos
que a prenderam como mel.

Era ali que queria estar
e acabar o seu dia
entre as curvas dançarinas
das letrinhas elegantes.
Queria ser caligrafia.

Pensou, talvez ser acento...
Mas um grave, nem pensar.
E agudo muito menos...
Não suportava a tortura.
De tanto se inclinar
ficava numa tontura.
Com um jeito de coluna
podia ser cincunflexo.
Mas a torção era um excesso!
Podia, se bem quisesse
pôr um ar mais donairoso,
ser um til bem saboroso...
E deitada bem esticada
tornava se travessão...

Mas não gostava de nada
Não achava a vocação.

Foi então, desanimada,
que parou no fim da linha,
encolheu se, redondinha,
a sentir se uma falhada.

E assim adormeceu.

Vai daí chega o poeta
que fora dar um passeio
a espairecer a cabeça
do desespero de ter
um poema em formação
e não saber que escrever
para lhe dar conclusão.

Olha então para o papel
e solta um grito espantado!
O poema interrompido,
vai se a ver , estava acabado.

Abriu um olho a formiga
e, espertinha, percebeu.
Satisfeita, regalada,
ainda mais se encolheu.
Estava agora consolada.
Tinha um destino, afinal.
Ia ser ponto final.

MariaAmares

2008-01-24

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE ESPAÇO DE MISCIGENAÇÃO

Não sou historiador. Perdoem me então a ousadia de escrever algo da história.
Mas como ando sempre nas prosas e poemas " de cabeça na lua" sinto de quando em vez necessidade de baixar ao terreno humano.

As obras apresentadas são todas de artistas santomenses e podem ser vistas neste endereço:

http://www.artafrica.info/html/paises/saotome.php


Foto do arquivo de Kimangola




ENQUADRAMENTO GEOGRÁFICO NO CONTINENTE AFRICANO

Partindo do pressuposto de que não são só os factos políticos que determinam a evolução humana sendo eles mais causas e consequências do desenvolvimento das instituições e ideologias que por sua vez são fortemente influenciadas pela constância das condições do meio ambiente que permanentemente envolve qualquer ser humano considera-se que um historiador remetido ao uso exclusivo de dados históricos, limita o seu campo de visão e no caso específico do continente Africano agravado pela escassez de documentos escritos, obrigatórias se tornam as abordagens em diálogos interdisciplinares contínuos. A arqueologia certamente terá um papel muito importante a desempenhar no caminho da aproximação à verdade.
A geografia e a história explicam muito do que é África. É o único continente que se estende pelas zonas temperadas do Norte e do Sul; possui uma grande área central tropical no meio de duas estreitas zonas temperadas, uma a norte outra a sul.
Quanto à história do ser humano aponta-se África como o local onde há sete milhões de anos as linhas evolucionárias dos primatas e dos pré-hominídeos divergiram.
As ilhas de São Tomé , Príncipe , situam-se no Golfo da Guiné , fazem parte de um conjunto de aflorantes vulcânicos no prolongamento da cordilheira dos Camarões , centro-oeste da África, Oceano Atlântico , litoral recortado por baías e escarpas , interior montanhoso com uma área de 964 km² de clima equatorial chuvoso .


DESCOBERTA - CLIMA – POVOAMENTO

Terá sido durante a vigência de um contrato entre a Coroa portuguesa e o mercador Fernão Gomes, que estas ilhas do Golfo da Guiné foram descobertas, no início da década de 1470. Era concedido a Fernão Gomes o monopólio do Comércio na Costa da Guiné. Devido à sua localização possuem características equatoriais no seu clima e vegetação. O clima quente e húmido, e a vegetação exuberante daí resultantes, têm profundas consequências na colonização das ilhas e na vida e organização das populações que ali se instalam.
A primeira ilha a ser ocupada é a de São Tomé. Não é a maior ilha mas possui uma melhor colocação na circulação de ventos e correntes e por estar mais afastada do continente previa-se a sua utilização como escala, o que veio a comprovar-se , durante os séculos seguintes .Com um relevo menos agreste, rica de cursos de água e um clima menos “escaldante” do que o de Fernando Pó e aparentemente não habitada, facilitava a possibilidade de colonização com terras fáceis de trabalhar.
Aquando da chegada dos portugueses, provavelmente em 21 de Dezembro de 1471, transforma-se desde logo no núcleo colonizador que se espalha pelas feitorias da Guiné, afirmando-se como um ponto importante do tráfico negreiro para as Américas e Brasil, e como produtora de elevado volume de açúcares servindo os principais portos europeus da época.
Convenhamos, a expansão portuguesa não é pertença exclusiva dos portugueses, pois desde cedo recorreram a técnicas, a capitais e especialistas estrangeiros. Reconheça-se no entanto a capacidade para reconhecer e usar os meios técnicos avançados e que se apropriavam aos objectivos a atingir. Com a crescente procura do açúcar, no mercado europeu, a partir dos finais do século XV, abriu-se um quadro económico, ditado pelo objectivo central do processo colonizador, dando origem ao “ ciclo do açúcar” que passou a ser o motor da economia.
Um factor fundamental para o desenvolvimento da produção açucareira, baseou-se sem dúvida na existência de mão de obra abundante e barata. Assim ao comércio transariano de escravos negros praticado pelos Árabes em direcção ao Mediterrâneo, junta se o comércio de escravos negros africanos promovido e desenvolvido pelos europeus.
São Tomé transforma-se num espaço não só de “experimentação” de plantas importadas, mas também espaço de miscigenação por excelência.

Eva Carvalho

CICLO DO AÇUCAR
Colonização

Este período do ciclo do açúcar – idade colonial/ período de resistência ( 1500-1822) e que desde o seu inicio coincide com a importação de mão-de obra saída da costa ocidental africana, para incremento da cultura da cana-de-açucar, trazida provavelmente da ilha da Madeira assim como a organização em Capitania como atesta a carta régia de 24 de Setembro de 1485 do rei de Portugal D. João II.
Iniciava se assim nestas ilhas o sistema de trabalho escravo constituindo se São Tomé e Príncipe também como entreposto comercial do tráfego de escravos. No intuito de aumentar a produção, foram concedidos um grande número de privilégios aos portugueses na sua maioria degradados e filhos dos judeus arrancados aos seus pais , oriundos dos territórios sob controlo português . No entanto as condições do clima equatorial provocava nos europeus altos índices de mortandade e obstava à vinda de mais gente. Para além de portugueses chegam também castelhanos, franceses e genoveses.
O grupo de Africanos que se começa a formar não é homogéneo em virtude das diferentes proveniências: do Benim, Camerões, Guiné, Nigéria, Angola, etc.
Um clima de agitação social acompanha desde o princípio todo este processo. Factores de ordem interna e externa manifestam se constantemente.

Manuel Ceita Dias dos Ramos

Classes Sociais

Por um lado os senhores feudais, ricos proprietários que são os donos dos meios de produção que não olham a meios para sacar o lucro; junte se o Clero, padres católicos que acompanham as expedições militares e que ao longo do processo colonial tiveram posição bem distinta da doutrina que pregavam. Como classe abastada que na verdade era este Clero esteve quase sempre rivalizando com os ricos proprietários.
Uma classe branca ( colonos ) não proprietários e alguns mestiços pois emanara do Rei a recomendação do bom tratamento aos filhos dos judeus, mulatos que pudessem servir ofícios como os brancos. Convém aqui apontar a data de 1524 – concessão do primeiro foral ao arquipélago, mais concretamente à ilha de São Tomé, a existência real do primeiro grupo de mulatos , os filhos da terra, que se constituem como fração minoritária de africanos livres. A criação deste grupo mestiço, pelos portugueses, tornou se indispensável tanto para o povoamento das ilhas, como para a constituição de um grupo social adaptado ao contexto ecológico local, afirmando se como único grupo capaz de assegurar a gestão dos projectos dos portugueses. Porém este movimento acabou por servir também os interesses dos africanos pois criavam se seres mestiços culturalmente marcados pela família africana, o que lhes assegurava a sua sociabilização. Do casamento dos comerciantes europeus com as filhas dos africanos de estatuto elevado, nasciam estes mulatos. Os mulatos não possuem uma família europeia, mesmo se o pai – geralmente branco - está presente; a família é da mãe africana. Tornam se num grupo de pessoas possantes, têm vinte a cinquenta escravos cada um
Num ínfimo escalão a classe social mais numerosa, dos escravos, muito heterogénea na sua composição, com características físicas, culturais, de língua dos seus elementos, bastante diferenciadas, comprovando a sua proveniência de vários pontos da costa ocidental africana. A mais desumana exploração que sobre eles se abatia, funcionava como um elo de ligação. A estes escravos propriedade dos moradores da ilha de São Tomé, é necessário juntar outros escravos negros, os escravos de resgate.
Todos estes grupos africanos de interesses divergentes e por vezes contraditório, participam de forma dinâmica no povoamento e na colonização da ilha, seja sob orientação dos europeus, seja mobilizando se em função dos seus próprios objectivos.

Felisberto da Graça Castilho
O Engenho

O engenho célula base de todo o sistema produtivo, não significa só o moinho onde se processava as várias fases da produção do açúcar, designava um conjunto complexo de construções, espaços e homens indispensáveis ao próprio processo de produção. Constituído pelo moinho , elemento central , pelas casas de madeira do proprietário e dos mestres do açúcar, situadas à volta do moinho, pelas habitações dos escravos, mais afastadas, na orla da floresta circundante, rodeadas de uma pequena horta, pelos edifícios necessários ao fabrico e à armazenagem do açúcar e às outras actividades indispensáveis à vida da população, e ainda pelas plantações de cana sacarina, situados nos campos mais férteis e melhor irrigados.
Formam se “domínios”, no interior dos quais se articulava um duplo sistema: por um lado, uma produção agrícola destinada à subsistência da mão-de-obra escrava e ao aprovisionamento dos navios e, por outro, a monocultura da cana e fabrico do açúcar. As várias concessões ou “sesmarias” e algumas cartas de alforria que ao longo do século XVI foram sendo produzidas pelos portugueses , ajudam ao fabrico destes domínios.

Armindo Machado

OS ESCRAVOS

Debrucemo nos agora sobre o quotidiano dos escravos e seu trabalho nestes domínios. Cada habitante compra escravos negros com as suas negras e emprega os ( aos casais ) para cultivar as terras fazendo as plantações. Há homens ricos que possuem até cerca de trezentos negros e negras a trabalhar para si toda a semana excepto ao sábado, onde neste dia os escravos semeiam para si, milho zaburro, raízes de inhame e muitas hortaliças. Estes homens ricos não vestem , não alimentam nem fazem casas , aos escravos. São os próprios escravos que se encarregam destas funções. O que pode parecer um regime de trabalho ditado por uma tolerância ou humanismo, nada mais é do que um sistema para optimização dos lucros. Esta técnica não provém dos portugueses mas sim uma adopção do já praticado em África, sendo a maneira mais capaz de permitir dispor de uma força de trabalho numerosa e auto-alimentada.. A cultura da planta desenrolava se ao longo de todo o ano sendo o escravo continuamente mobilizado para os inúmeros, longos e pesados trabalhos agrícolas a que se juntavam as duras tarefas destinadas a transformar a cana em açúcar. Convém não esquecer que este ciclo de trabalho começava já no abate das árvores e a sua redução a cinzas que serviam como fertilizantes da terra assim como na preparação dos terrenos para a plantação.
O processo de povoamento organizado pelos Portugueses é orientado para as regiões litorais do norte e do nordeste de São Tomé, por aí se encontrarem as melhores condições para introduzir e desenvolver a cultura, produção e posterior comercialização do açucar. Este cenário deixava vastas áreas livres quer no interior ou noutras zonas despovoadas que viriam a ser ocupadas pelos escravos fugidos das plantações, quer dizer que o processo de povoamento do interior da ilha é consequência da decisão dos Africanos e contra os portugueses. As duríssimas condições de vida e de trabalho estavam na base destas fugas. Foi daqui, mais tarde que partiram os ataques aos engenhos e às regiões sob controlo português.
Entramos assim no início da segunda metade do século XVI, com duas particularidades a destacarem se: uma agitação social provocada pelos Mulatos ,” os filhos da terra”, descontentes com a discriminação política de que eram alvos em benefício dos Portugueses e a ameaça negra que vinha do mato provocam um clima de insegurança. No último quartel do século intensificam se as revoltas que se multiplicam nas roças e ataques cada vez mais frequentes aos engenhos e ás plantações.
No ano de 1595 um negro da ilha de São Tomé, chamado Amador proclamou se rei da ilha. Amador fora escravo de D.Ferdinand , comandava um exército organizado em torno de cinco chefes principais, movimentando se segundo um plano definido para atacar os engenhos e a cidade. O choque pôs frente a frente uma grande massa de homens armados de arcos e flechas, contra um número mais reduzido, armados com arcabuzes. A vitória coube como quase sempre no continente africano, aos europeus cujas tropas incluíam Negros e Mulatos. Derrotados os cinco chefes africanos decidem entregar aos europeus, Amador, que o enforcaram.

Kwame de Sousa

OS SÉCULOS XVII E XVIII
Instabilidade

Na entrada para o século XVII, grande parte dos proprietários ricos começam a emigrar para o Brasil que desponta como nova fonte de produção de açúcar. O clima de insegurança e instabilidade vivido com os sucessivos ataques dos “ negros alevantados” e a incapacidade das autoridades portuguesas em controlar o espaço santomense, agora ocupado pelos Africanos constitui se como motivo principal do deslocamento para o Brasil. Agravando aquela situação, a corrupção e a desorganização dos poderes públicos, a discórdia permanente entre as autoridades religiosas e civis, o ataque dos corsários e ainda a doença que ataca a cana sacarina, provocando a destruição das colheitas.
São Tomé e Príncipe afirma se como um espaço privilegiado, dada as suas características ecológicas e posição geográfica, para:
1) Centros de introdução e “ensaio” de plantas e de técnicas agrícolas novas;
2) Pontos de apoio aos navios, de início apenas portugueses, depois também estrangeiros, que ali procuram se abastecer;
3) “Armazéns” destinados à redistribuição de escravos vindos do continente e destinados essencialmente ao Novo Mundo.
Ressalta também claramente desta época, um sistema de produção , já consolidado, que era o sustento de todos que habitavam as ilhas e dos abastecimentos em víveres aos navios, vindo mais uma vez da classe escrava, que produzia para além do açúcar, inhames, batata doce, milho em suma a produção agrícola de sustento.
Começa se a sedimentar a combinação entre elementos culturais africanos de origem diversa e da adesão a propostas europeias após duas ou três gerações, uma parte do poder económico do arquipélago fica nas mãos de uma população crioula nascida deste encontro: os “forros”, que são a característica principal de São Tomé e Príncipe em relação às outras colónias, com seu próprio idioma.

O Negro como mercadoria

Iniciava se uma nova era , fim da primeira fase da colonização. Com o chamamento do Brasil e do declínio da produção açucareira para os colonialistas a importância da ilha radicava no facto de servir de entreposto de escravos. Todos os navios com destino ao Brasil via São Tomé e Príncipe, eram obrigados a pagar impostos, que forneciam ao fisco português receitas consideráveis. Milhões de africanos foram transportados, em condições desumanas , sobretudo para as Américas durante os séculos XVII e XVIII principalmente.
Ao iniciar se a segunda metade do século XVIII, já as ilhas de São Tomé e Príncipe vinham sendo um local de contínua confluência de povos, raças e culturas, cujas consequências se traduziam em complexos fenómenos socioculturais. Entre eles sobressaíam a mestiçagem, a assimilação e a rejeição culturais que , por vezes, explodiam em violentos movimentos de ruptura. Dos povos e das culturas transferidos, das línguas postas em convívio, haviam se originado importantes sínteses, outro povo.
A economia de São Tomé e Príncipe atravessa assim um período de estagnação ,pelos motivos já apontados. É notória a reafricanização da população. Do ponto de vista numérico os “ filhos da terra” tornam se o elemento predominante. Fortalecem as suas posições económico-sociais sem contudo serem um grupo heterogéneo. Formou se uma aristocracia crioula que se empenhava em enviar seus filhos para seminários no Brasil e em Portugal.

Edilson Chong Dias

O CICLO DO CAFÉ E CACAU
A Roça

No século XIX com a introdução das culturas do café e do cacau inicia se aqui uma terceira fase da colonização das ilhas de São Tomé e Príncipe; com a expropriação fraudulenta e violenta das propriedades aos locais. A necessidade mais uma vez de mão-de-obra é premente. A população nativa recusa se a trabalhar nas plantações. Existe no entanto um dado novo na conjuntura mundial e oficialmente (1826) o governo de Lisboa promulga o código para conter o tráfego de escravos, mas só na década de 80 a escravatura é abolida. Os trabalhadores não são mais escravos mas “ trabalhadores contratuais voluntários” trazidos das outras colónias portuguesas (Angola, Cabo Verde e Moçambique) facto que origina o aparecimento das unidades de produção de cacau e café denominadas roças. , A roça é um espaço agrícola, organizam uma nova base de povoamento e colonização, sendo constituída pela casa da administração, a sanzala dos trabalhadores, os armazéns, os fermentadores e secadores de produtos, o hospital formando autênticas povoações.

Abolição da escravatura

A frente do boicote internacional de São Tomé e Príncipe decretado em 1909 após as divulgações feitas sobre o trabalho forçado dos “ trabalhadores contratuais”, as roças “humanisam-se” e o rendimento diminui. No fim dos anos 40, o governador está determinado a regularizar o problema da mão de obra, forçando os “forros” ao trabalho nas “roças”.

Nacionalismo

A tensão provoca então o massacre de Batepá, a 3 de Fevereiro de 1953, que teria feito mais de 1.000 mortes por tortura eléctrica e afogamento, principalmente. Este episódio marca o início do nacionalismo santomense, com a criação, em 1960 pela elite, forros em exílio do CLSTP (Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe) que em seguida, em 1974, virá a ser o MLSTP (Movimento de libertação de São Tomé e Príncipe).
José Manuel Mendonça Gracias

2008-01-16

MARIAMARES


Maria Amares,
Amaste…
Partiste como a mim chegaste
serena , um afago doce , preenchido,


porta só encostada.

Escrevo te em rosa cor
foi assim que te conheci.
De mim asseguro te , não partiste…

Tenho te aqui bem perto ,
no peito aberto,
Coração.

Esta oceânica lágrima,
rola serena , roseada
em mim
em direção a ti.

2008-01-13

Cópia repetitiva


Caíra por acidente numa fotocopiadora.
Copiava se vezes sem conta,
vítima da causalidade mútua,
[ele e a fotocopiadora]
Preto no branco e branco no preto
gémeos inversos do universo
fantasmas de um gesto.

É a pena do escritor
herdeiro remoto do drama cósmico.

E mais cópias de si próprio.
Num mecanismo encravado,
repetitivo movimento da cópia,
quase demónio imemorial
inverno estéril resplendeu
o tédio.

Fartou se,
muniu se do bastão ecológico,
era de madeira, de árvore,
destruiu, num golpe rápido
a fotocopiadora.

Doravante,
restaria mudo.

2008-01-06

(Ar)Rebento a cada sensação de abatimento.


Não compensa andar.
Rastejar é único caminho.
Será a Vida ou é a Economia…
Um mundo semelhante ao mais
estéticamente horrível
o essencial visível é um saco de Bolor,
fome no meio de um lixo
onde já nem restos há de comida.
Suspiro de ansiedade no acelerar do processo.

No todo há uma forma de vida
seres humanos passam fome num pátio do Mundo,
alguns ganham dinheiro
caçando borboletas,
as mortas valem triplos das vivas.

Dentaduras encontradas no lixo
como forma de protesto.

O Poder dará
novas dentaduras,
assim todos podem rir.

2007-12-31

DEMONOLOGIA


O morto jurara ter estado só na sua última viagem enquanto vivo. Tivera amores vários, promessas, ardores alguns, mas viera sozinho. Tudo eram contrários. Chorava quando estava contente o frio era o calor. Um galo celestial, despertara novas auroras, Estar comigo é um contrário de solidão. Escarneces dos meus pensamentos. Mas quem te julgas? Uma Fénix imortalizada numa estúpida ilusão do medo de viver ? de estar ?

Farei exigência de um ano platónico, tudo na sua posição inicial, cumprido o enorme ciclo astronómico, perguntar te ei se viste o influxo dos planetas.
Qual loucura qual QUÊ, ignóbil serzinho mesquinho que te escondes nas asas transparentes dos grupos. Nunca deixei de te ver.

Eu sou o herdeiro de mim mesmo, por isso não estranhes a minha conduta.
Zombo dos terapeutas que prescrevem remédios das cinzas, querendo dizer O FOGO. Afinal somos um espelho ou imagem de um Universo?
Diz me, fala me ao coração… Vens de um ovo, pássaro imortal, ou das cinzas?
Vejo te simples testemunha da tua idade.
Vi te sempre como Fada a confundir e a fazer perder os navegantes. Como a Tartaruga sobrenatural ou angelical que saiu de um ribeiro, julgas te, dominadora, um animal espiritual. Cuidado , um dia o Devorador das Sombras tomará conta de ti.
Entretanto deixei de acreditar em ti .
E não me sinto só. Pondero furiosamente as virtudes e as culpas, estou ocupado.
Vejo te só como o guia do morto nas regiões ultra-terrenas.

2007-12-23

DESEJO


MAL /NATAL

Eis então os meus votos de Natal...

.Sobre toda a reunião de humanos que bebem dançam e petiscam(festas religiosas ou pagâs) paira a ameaça do fracasso, do entediante como se os Deuses tivessem abandonado a cena.

Desejei para vocês, o contrário da compra da felicidade; não se compra o Ser, o ter esse sim , é vendável. Assim desejei que todos fossem infelizes, tristes,frustrados, depressivos, querendo o mal uns dos outros, renegassem o Deus ,o pai, a educação, mas só naquelas 24 horas (Mal/Natal) . Desejei que se institucionalizasse o “tem que ser” desse dia, doravante, e até vermos os seus resultados.

Um embuste da espontaneidade, onde o rir e a alegria são sempre um pouco forçados. O fervor não se encomenda e por vezes faz-nos a má surpresa de se furtar aos encontros que lhe marcamos.

Desejei que, no dia a seguir, encontraria as pessoas mais afectuosas, alegres vibrantes, de bem consigo próprias.Desejei que, os dias fossem assim até ao próximo dia do Mal/Natal e como o“tem que ser” tem muita força passaríamos a ter exactamente o contrário; o resto do ano , muito amor, aceitação, tolerância, autenticidade, simpatia; Assim institucionalizado, até vermos os seus resultados.

Quando todos os ingredientes necessários como a compra,consumismo, música, drogas, sexo não conseguemrealizar o precipitado mágico, então a graça ocasional da festa resulta em melancolia.

Continuo a desejar, experimentar uma só vez... ao menos, só para ver.

Desejo.

2007-12-20

Nuno Florindo d' Assunção Silva

Matumbolândia
Apesar dos contrasins entrementes ,das idealoconvicções laboriosamente esquecidas,estamos em andamento antes da partida,parados em grande aceleramento.

P.S. Para Kimangola Matumbolândia é por todo esse canto onde se fala a portuguesa lingua.Logo eu também sou um dos Matumbos.


Estudante São-Tomense nos Açores
sem bolsa há três anos

Chama-se Nuno Florindo d'Assunção Silva. É estudante bolseiro enviado para Portugal onde se licenciou no curso de Estudos Europeus e Política Internacional. Está em Açores a fazer mestrado e há três anos que não recebe as suas prestações mensais de bolsa de estudo. Mas 300 Euros saem todos os meses de Finanças, mas não entram na sua conta bancária. Desconfia da ex ministra da educação, Maria de Fátima Leite Almeida e da embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal. Por isso, diz que vai pedir um inquérito ao ministério público.
Nuno Silva enviou uma carta ao Vitrina que pede para publicar a sua história. Diz ser possuidor de uma lista comprovativa de que o seu dinheiro sai todos os meses das Finanças, mas não compreende porque não entra na sua conta.Suspeita de que a prestação mensal da sua bolsa de estudo esteja a ser desviado das suas contas.
“Procurei que as autoridades nacional interviesse no sentido de me responderem, mas nada foi-me dito até ao presente momento”, disse Nuno Silva, para depois sublinhar que “Vi-me obrigado a recorrer aos meios de comunicação social, como forma de informar a opinião pública nacional, da ignóbil situação de que o Estado de São Tomé e Príncipe, na pessoa da Ministra da Educação Maria de Fátima Leite Almeida, e a Embaixada de São Tomé e Príncipe e Lisboa, me submeteu”. Ressalva que, de facto, “há mais de três anos que não me pagam qualquer prestação de bolsa de estudos, e não me respondem sobre o meu pedido de bolsa de estudos de Mestrado, nem sobre o Bilhete de regresso para São Tomé e Príncipe. Estou sabendo que os 300 Euros da minha bolsa de Estudos tem saído, conforme as listas, da Repartição das Finanças, mas nunca entra na minha conta bancária”, enfatiza. Natural da freguesia da Conceição, Nuno Florindo d Assunção Silva afirma que numa acção corroborada pela sua Universidade em Açores e outras entidades como a Associação dos Imigrantes tem sido bastante “insistente e procurados que o governo são-tomense dê uma resposta sobre a situação que enfrenta, mas “nada foi dito até ao presente”.
Toda a tentativa para encontrar uma resposta sobre esse assunto junto do ministério da educação, juventude e desporto não surtiu efeito. O Vitrina promete insistir até que as autoridades dêem uma explicação plausível sobre o assunto.
M. Barros
Ver: http://www.vitrina.st/Vitrina2.htm

2007-12-16

EVA OU LILITH?

Têm uma forma indistinta apesar do rímel dispendioso Tratam se de serpentes, assumem forma humana , são cortejadas , quais panteras indicam um animal assaz diferente.
Mascaram se de dolces e gabanas ou outras fragâncias, substâncias raras em lugares comuns, seu próprio cheiro não têm.
Um urbano produto de voz melodiosa, mentira aceite.
Respiração ofegante, a sua formosura deleita os animais , não têm outro inimigo a não ser o dragão de morada incerta, cuja língua é mortal. Cheias de brilho intenso, cegam, abrem suas fendas, aos olhares , debaixo de muita roupa de marca famosa, coquetes revêm se nos anéis de fumo, de cigarro entre dedos, máscula pose.

Por vezes o dragão ri, não sei como cavalga no vento nem como chega ao céu mais veloz do que o pássaro e os ventos.

As de forma indistinta prostituem se não por parcas posses, almejam o topo das coisas , olham de cima para baixo das suas camadas cremes embelezadores de cútis , escondem se , não se autenticam.
Entesam se na futilidade, de gritinho em gritinho estéril e histérico, pululam por entre a ignorância da pinderice, sentam se princesas nos tronos carnosos vúlvicos, figuras de sílfide, orgulhosas mantêm o salamandrico animal frio.
Esperarei por vós no enrugamento irreversível das vossas vindouras epidermes..

“Porque antes de Eva foi Lilith”

2007-12-11

ANO I


Num príncipio KOLUKIano, e lado a lado não reparei no tempo.OLHARES.COM algum critério, PALAVROSSAVRVSREXamente aguilho ei me, mantive me desperto.
“ …Entre a nau e o caos: tormenta desde o abismo: sentimento esperança: farol de mim…” Assim falou MARIA MUADI.
Nuvens passaram , mil poesias também, adociquei me, amaciei me, embora o efeito estufa aumentasse.
CONTRATODOS, rocei O KAFÉ, MILLÔR me extasiei entre LARANJA LIMA, UMA PORTA SÒ ENCOSTADA em KITANDAS ,KIMBUNDU e MWANGOLÉS me abasteci.
FALOPIEI me em escoras e pilares vérsicos; beleza e talento é sempre uma excelsa combinação.
VEGETANDO mantive meus pés assentes no vulcão, o espírito também.
Incursionei me pelo caminho académico, do conhecimento histórico precisei: acedi assim ao PATRIMÒNIO CULTURAL. Aprender é meu destino e regra.
Uma despalavra reconhecida aos que me não leram, ou que por engano me desnudaram a pose bloguiana. Foi seguramente mote para escrever mais sempre mais. Não desisti, a eles devo.
Não admito que alguém queira ser como eu. Não quero ser líder. Quero mesmo é aproximar me de mim. Na verdadeira arte de viver este é o paradigma: quanto mais nos compreendem (a via do “sucesso” por exemplo) mais a pura criatividade se afasta de nós, a vulgaridade nos faz companhia
No fundo, não pretendo Estar compreendido, mas Ser anormal aceite.
Assim das minhas 165 postagens de idade vos convido para o BATUKE.
Traje obrigatório: O lugar mais alto das vossas existências.
Preço da entrada: ALEGRIA

De Livrevontade a todos ( Obrigado nunca).


Rapariga da Gabela/Kuanza Sul





2007-12-09

Evasão



As mais rígidas regras da lei tribal , um campo de cana de açúcar , escorrendo um certo travo amargo.
Figura escura destaca se , o efeito moral negador da sexualidade. A masturbação é somente a resposta à não obtenção do favor sexual de um outro.
Há um sereno aspecto - a meus olhos pareceu - naquele fogo rutilante.
?Abismo de quê , de que lado vivo?
Me aconteceu Andrógino ser de única mama e dois genitais órgãos: estranhei tudo ser familiar. Doutra vez Ástumo fui , sem boca, alimentei me de cheiros, ainda aqui o mesmo diferente familiar. Experimentei ser Mulher com dentes de javali, cabelos nos pés, cauda de cabra., ainda sempre o mesmo familiar caminho. Sinto me um pequeno escravo saído não sei de onde, nem para onde , mesmo quando por vezes meus pés tacteiam as flores caminho: vermelhas , azuis , verdes , amarelas.
Estás quase nua e no ardor da dança caiem te as ultimas vestes, desvio o olhar para os teus cavados olhos atentos, gostei inebriado da palidez funda de teu rosto, a suposta aproximação foi o afastamento. Gastámos nos na repetição dos mesmos gestos lá atrás usados.
Fecho os olhos tento , o esforço de tornar sonho o momento da reflexão, em vão; os espectros das cavidades debaixo das estrelas , prolongam se , o dia torna-se escuro , absorto , um destino . Com passos receosos gritei aos quatro cardeais pontos.
Não me ouviam – não os via , fiquei sentado olhando a janela da minha cela , namorando o vento lá fora correndo. Um dia encontrei o subterrâneo caminho em mim , evadi me.